Os problemas e estragos causados pela sexualização do homem negro

O Brasil é um lugar bastante inóspito para as pessoas negras, dentre os vários problemas gerados pela escravatura, um deles acaba não sendo tão discutido: a sexualização do homem negro.

            Nosso país foi o último da América Latina a abolir a escravidão, e mais do que óbvio, isso faz com que sejamos uma nação muito racista, mesmo que os negros sejam mais da metade da população.

            De modo geral, os negros foram sempre vistos como objetos supersexualizados. Métodos desumanos eram sempre impostos contra os escravos porque virilidade e fertilidade eram tidos como pontos importantes para a venda dos servos.

            Muitas vezes, os homens que atingissem a adolescência sem ter um “desenvolvimento corporal” adequado, eram mutilados e vendidos por valores abaixo do mercado. Os escravos eram literalmente tratados como animais, pois eles eram postos para “criar” por seus donos, que acabavam tomando os filhos das mães e os vendendo. Sendo assim, um negro que não tinha “aptidões sexuais”, era tratado como inferior.

            Essas práticas absurdas refletem até hoje na vida do negro, que ainda são vistos como seres sexuais, acima de tudo. Acontece que o homem negro é um ser humano como qualquer outro, há uma diversidade de pessoas que não se enquadram nesse estereótipo, ou seja, essa sexualização causa problemas e estragos na vida desses homens.

O homem negro no Brasil atual

Como dito antes, o homem negro foi rotulado como um ser viril, forte e agressivo. É como se ele fosse criado para ser uma criatura ruim, algo desprezível. A sociedade ainda insiste em ligar um homem negro ao visualizar um ladrão, um assassino, acima de tudo, um bandido.

Até mesmo em movimentos de esquerda, que de fato lutam para tentar acabar com o preconceito, o homem negro está ausente. Pense em nomes famosos da esquerda brasileira, quantos deles são pessoa negras?

Conhece a expressão “Inocente até que se prove o contrário”? Com o homem negro é sempre “Culpado até que se prove o contrário”, e aliás, mesmo provando inocência ainda somos muitas vezes culpados.

O menino negro sempre cresce em um ambiente de guerrilha, sendo que o rosto do “inimigo” perseguido é nossa própria cara. Sendo assim, muitas vezes a pessoa toma para si a alcunha que lhe foi dada antes mesmo de nascer e acaba moldando uma personalidade agressiva e violenta.

A própria mídia acaba contribuindo para essa ideia de criminalidade. Quando um negro é preso por tráfico, a manchete diz “TRAFICANTE”, quando um branco é preso por tráfico, a manchete diz “JOVEM”, ou então profissão do criminoso.

O problema e estragos da sexualização do homem negro

Outra característica atribuída ao homem negro mesmo antes de seu nascimento é a virilidade. Viver no Brasil é crescer tendo sempre nas costas o peso de ser “forte” e “vigoroso”, criam um padrão surreal que acaba causando muito mal para a pessoa.

Negros não são fetiche, muito menos objetos sexuais. Somos pessoas como todas as outras, temos praticamente a estrutura genética, somos movidos pelos mesmos alimentos e sentimos as mesmas emoções do que todos os outros.

É muito ruim sermos rotulados por nossa sexualidade, sermos vistos apenas como uma máquina de sexo, sem sentimentos ou desejos, não somos máquinas! A sexualização do homem negro é muito prejudicial. Tratam como se fosse uma lei constitucional a obrigatoriedade de termos um “pau grande”, e não é assim que funciona.

Muitos de nós tentamos ter uma vida amorosa e amar alguém de fato, pois somos seres humanos, no entanto, somos reduzidos ao sexo. Não é incomum que homens tenham ouvido um “só estou com você pelo sexo” ou um “não quero nada sério, só transar”.

Não dá para aguentar alguém perguntando toda hora se temos o pau grande e se somos “quentes” na cama. Viver nesse tipo de sociedade traz estragos emocionais graves para nós.

Com tanta pressão para ter esses atributos estereotipados da sexualização do homem negro, muitos dos que não cumprem essa “exigência” acabam desenvolvendo problemas de autoestima.

Cada um é dono da própria vida e faz o que quiser com ela mas o negro que se recusa a fazer parte desse estereótipo sempre é desmerecido e taxado como “inútil”. Isso é desolador.

homem negro

Sexualização é racismo sim!

Além de viver com toda essa pressão socialmente imposta, nós ainda precisamos lidar com o fato de que a maioria das pessoas acredita que estão nos fazendo um favor com esse tratamento sexualizado.

Ao ficarem dizendo que “Negão tem pau grande”, as pessoas realmente acreditam que estão te elogiando. Atitudes como essa são bastante nocivas para a mente dos homens negros, afinal sempre são resumidos nisso.

Aliás, as práticas racistas são tantas que nem sequer caberiam em um artigo. Mas provavelmente uma das grandes responsáveis por essa sexualização do homem negro é a indústria pornográfica.

O mundo pornô ao longo dos anos vem criando o “fetiche” por negros e reforçando essa sexualização exagerada. Praticamente todos esses sites sempre tiveram a sessão “inter-racial” termo que faz questão de nos lembrar que somos uma “raça” diferente.

Por causa desse termo pornográfico, foi sendo concebida a ideia de que somos feitos para brancas de classe média terem prazer. Preste atenção, na maioria dos vídeos pornográficos há homens negros transando com mulheres brancas e é raro achar um negro fazendo sexo com uma negra.

Esse tipo de coisa vai criando estigmas sociais e contribuindo para a difusão desse pensamento. E essa sexualização não é exclusiva dos heterossexuais, pois muitos homossexuais também são racistas e ofensivos nessa “busca por prazer”.

Uma outra coisa triste é que os próprios negros costumam possuir essa visão de comportamento machista e agressiva. Afinal, crescem com a imposição de que devem ser assim, de que quem não é “negão” é inferior e assim acabam fazendo mal para seus próprios iguais para poderem se afirmar.

Ao homem negro foi negado o direito de ser, já nascemos predefinidos. Entretanto posso ser fraco ou forte, bruto ou leve, posso amar e ser amado, sou meu próprio dono e posso ser quem eu quiser!

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